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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

As dez 'tendências globais' dos próximos cinco anos


O mundo dos próximos anos deve ser mais interconectado, de população mais velha e urbana, e com uma classe média mais forte nos países emergentes 

Mas também será um mundo de jovens desiludidos, de incertezas econômicas, crescente disparidade de renda e sob sérios desafios climáticos.

Essas são algumas das tendências previstas pela empresa de pesquisas Euromonitor International, autora de um relatório chamado "Dez Macro Tendências para os Próximos Cinco Anos".
O objetivo do relatório é analisar o futuro dos mercados consumidores. Confira as projeções:

'Futuro incerto'

Dívidas fora de controle, medidas de austeridade na zona do euro e distúrbios políticos globais causam o maior nível de incerteza política e econômica dos últimos anos, aponta o relatório.
"E se a situação de prosseguir, isso terá efeitos para os consumidores que, em tempos incertos, vão exercitar a cautela ao tomar decisões de consumo."

'Classes médias emergentes'

"A expansão da classe média nos diversos países emergentes será um dos efeitos-chave do crescimento econômico (desses países), à medida que grandes contingentes populacionais deixaram a pobreza e formaram uma base de consumidores cada vez mais exigentes e sofisticados", opina a Euromonitor.
Relatório de novembro do Banco Mundial cita por exemplo o aumento da renda média na América Latina. Na última década a classe média da região cresceu em 50%, de 103 milhões de pessoas em 2003 para 152 milhões em 2009, hoje representando 30% da população.
Na Rússia, analistas apontam que a classe média está mais influente e busca sua voz na política; a China mira cada vez mais seu mercado de consumo doméstico, diante do desaquecimento da economia global.

'Jovens desiludidos'

A crise em países desenvolvidos teve como desfecho os altos índices de desemprego entre os jovens, e essa tendência deve se manter, diz a Euromonitor.
Entre os casos mais graves estão a Espanha e a Grécia, onde, segundo dados da Eurostat (instituto oficial de estatísticas da União Europeia), a taxa de desocupação de pessoas com menos de 25 anos supera os 50%.
Essas taxas contribuem para a insatisfação dos eleitores mais jovens, muitos dos quais têm saído às ruas de Atenas e Madri para protestar contra as medidas de austeridade na Europa.
O relatório da Euromonitor afirma que "faltam perspectivas decentes para os jovens, que enfrentam altos desemprego, custos universitários e custos de vida, além da falta de moradia acessível e do fardo de ter que ajudar os mais idosos no futuro".

'Divisão entre ricos e pobres'

O Brasil vive um momento histórico de redução da desigualdade, mas isso não necessariamente se repete no resto do mundo.
Segundo estudo prévio da Euromonitor, de março, a desigualdade de renda aumentou na maioria dos países entre 2006 e 2011, forçada pelo envelhecimento da população, pelo crescimento do desemprego e das medidas de austeridade em países desenvolvidos, além da persistente divisão entre áreas rurais e urbanas nos países em desenvolvimento.
Segundo o levantamento, essas disparidades podem minar os benefícios da recente onda de crescimento em alguns países.
A Euromonitor cita que aumentos desproporcionais de salários, avanços tecnológicos e urbanização também podem favorecer a desigualdade.
Para a consultoria, essas divisões também estão por trás de distúrbios sociais.

'O desafio climático'

"Padrões climáticos cada vez mais erráticos e o aumento dos níveis dos mares serão as maiores ameaças às populações nos próximos cinco anos e depois", diz a análise da Euromonitor.
Serve de exemplo a supertempestade Sandy, que recentemente varreu a costa leste dos EUA e deixou mais de 40 mortos no país. Os custos de reconstrução das áreas devastadas foram estimados em de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões.
Mas os prejuízos causados pelo clima "errático" vão muito além disso. "Secas e enchentes continuarão a provocar devastação em plantações, afetando os preços dos alimentos nos próximos anos", segundo o relatório da Euromonitor.

'Um mundo em processo de envelhecimento'

A tendência global é de taxas menores de nascimentos e maior expectativa de vida, o que resulta em uma população mais velha.
O Brasil se encaixa nessa tendência: a taxa de fecundidade foi de 1,86 filho por mulher em 2010, segundo o IBGE. A população brasileira deve se estagnar a partir de 2030. As consequências socioeconômicas de casos como o brasileiro são diversas.
"Populações em processo de envelhecimento vão impactar as perspectivas futuras de crescimento econômico, por conta da redução da mão de obra e de taxas mais baixas de poupança e investimento", prevê a Euromonitor. "Ao mesmo tempo, gastos públicos relacionados à idade (caso da saúde) devem aumentar significativamente."

'Transição urbana'

"A urbanização ser uma tendência de longo prazo, mas seu ritmo cresceu perceptivelmente nos últimos anos e o crescimento das cidades alcançou níveis sem precedentes em mercados emergentes", aponta o levantamento.
A China é um exemplo, com a construção de cidades que têm virado polo de atração para hotéis, aeroportos e outros empreendimentos.
Em âmbito global, mais da metade da população já vive em áreas urbanas.
"O êxodo do campo à cidade é fortemente impulsionado pelo anseio por mais poder econômico", diz a Euromonitor. "A transição global para a vida urbana está moldando os mercados consumidores e a demanda."

'Pessoas em movimento'

Para a consultoria, o mundo fica "menor" à medida que mais pessoas têm acesso à opção de viajar, estudar e trabalhar fora de seus países de origem.
"A continuidade da migração tem impacto significativo nas economias, nos mercados e no consumo", opina a Euromonitor. "A maior diversidade étnica oferece boas oportunidades aos mercados."

'Mundo mais conectado'

Previsão da consultoria tecnológica IDC aponta que, a partir de 2015, usuários acessarão mais a internet por dispositivos móveis - tablets e smartphones - do que por computadores.
"Quase um terço dos consumidores globais online têm acesso à web em seus celulares", afirma a Euromonitor.
"Mídias sociais como Facebook e Twitter estão mudando a forma como as pessoas interagem. Uma estratégia bem-sucedida em mídias sociais será uma prioridade para as empresas no mundo inteiro."

'China global'

Segundo a Euromonitor, está mudando o foco dos investimentos estrangeiros chineses: inicialmente concentrados em países em desenvolvimento e ricos em recursos naturais, eles agora se começam a se voltar à América do Norte e à Europa.
"Diversas marcas chinesas entraram na arena global e tentarão desafiar marcas globais estabelecidas", prevê o relatório. "Especialistas creem que os investimentos externos de empresas chinesas tenham um crescimento expressivo na próxima década."

do bbc brasil


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Em Pernambuco, 80% das barragens do Sertão estão sem água


Falta pasto e caminhões-pipa têm sido a única forma de abastecimento.



Falta pasto para os animais e os caminhões-pipa têm sido a única forma de abastecimento para muitos agricultores por causa da seca que afeta a Zona da Mata, Agreste e Sertão de Pernambuco. Oitenta por cento das barragens sertanejas secaram completamente.
Em Petrolina, existem localidades onde não chove há meses. A zona rural está castigada. Na comunidade de Pereiro, o chão rachou e a vegetação está completamente seca. Os moradores caminham longas distâncias para pegar água. A agricultora Veronice Justina dos Santos tem esperança que tudo melhore. “A gente tem que sobreviver mesmo, porque a vida tem que continuar, mas é difícil. Agora, só lá mesmo para o final do ano que vai vir essa chuva de Deus”, disse.
As cisternas são abastecidas por carros-pipa, e os animais estão sem pasto. Só resta um pouco de lama na única barragem da região, que abastece cerca de 200 famílias. Por esse motivo, as pessoas buscam maneiras para diminuir o prejuízo causado pela estiagem. Todos os dias o agricultor Paulo Aparecido dos Santos vai buscar água no poço, que é salobra. “É o jeito não é? Não tem outra”, lamentou.
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) divulgou um relatório alarmante. Em todo o estado, 80 barragens estão com o nível abaixo do considerado normal para esta época do ano. A situação no Sertão é ainda mais preocupante: 80% dos reservatórios secaram completamente. Um problema que atinge muitas famílias que vivem na área de sequeiro, ou seja, que está na área de influência de um manancial de água.
Na zona rural de Ouricuri, a situação também é de colapso, com barragens secas. Os agricultores enfrentam a estiagem prolongada e se preparam para o período chuvoso, que só deve começar no ano que vem. Eles apostam na construção da cisterna calçadão, que garante um melhor aproveitamento da água da chuva. Mas a água armazenada neste tipo de cisterna só deve ser usada para dar de beber aos animais e molhar as plantações.
De acordo com a Articulação no Semi-Árido (Asa), que coordena a construção das cisternas em parceria com o governo federal, para que o agricultor seja contemplado com este tipo de reservatório, ele já deve ter na propriedade como armazenar água potável. Na cisterna calçadão, a água é captada em uma estrutura inclinada de cimento, tipo uma rampa. Com os batentes, a água na chuva não se espalha e escoa direto para o reservatório.
O tamanho pode variar. Uma cisterna de 10 metros de largura por 20 de comprimento tem capacidade para armazenar 52 mil litros de água. “A Asa vem estudando há quase oito anos a cisterna calçadão. Já é uma tecnologia desenvolvida junto com as famílias agricultoras, na qual os dados comprovam que segura a água no período da estiagem. O retorno é positivo”, explicou o engenheiro da Asa, Márcio Moura.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cada vez mais seco!

No Brasil, mais de 31 milhões de pessoas vivem em áreas sujeitas à desertificação, que tem início com a destruição da caatinga, mau uso dos recursos hídricos e a degradação do solo

O fenômeno das secas no Brasil vem de tempos distantes e, o primeiro período de estiagem pode ter ocorrido entre os anos de 1583 e 1585, quando o padre Fernão Cardin relatou o que ocorria na região Nordeste do País: “(…)uma grande seca e esterilidade na província e que cinco mil índios foram obrigados a fugir do sertão pela fome, socorrendo-se aos brancos”.

A seca nordestina já foi cantada em verso e prosa pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e por outros compositores oriundos da mesma região, mas a canção que retrata com um “q” de realismo o papel da sociedade e sua in fluência, por vezes, nefasta ao meio ambiente, é “Sobradinho”, letra composta por Sá e Guarabyra: “O homem chega, já desfaz a natureza / Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar / O São Francisco lá pra cima da Bahia / Diz que dia menos dia vai subir bem devagar / E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que dizia que o sertão ia alagar / O sertão vai virar mar, dá no coração / O medo que algum dia o mar também vire sertão”.

Os longos períodos de estiagem não castigam apenas terras brasileiras. Em 1930, os três anos de seca no meio oeste americano agravaram a degradação da terra. A partir dali deu-se início a uma série de estudos e pesquisas acadêmicas voltadas ao conhecimento dos processos de deserti ficação. Trinta anos mais tarde, o sahel africano é castigado pelo mesmo fenômeno, que resulta em mais de 500 mil mortes.

 A devastação dos recursos naturais e um modelo de desenvolvimento equivocado, é apontado por especialistas como uma das causas daquela seca.

No final da década de 70, após algumas convenções internacionais, foi observada a necessidade de implantar uma política específica para as regiões semiáridas do mundo, tanto por suas características ambientais como pela situação geral de suas populações.

Mas somente durante a Rio 92 os chefes de estados somados a organizações que trabalham com o meio ambiente evidenciaram o fracasso dos programas internacionais de combate à desertificação e decidiram mobilizar uma Convenção de Desertificação, que visava o comprometimento de todas as nações, particularmente dos países ricos, com a questão da seca.

Definição do termo

De acordo com o texto da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), desertificação é a degradação da terra nas regiões áridas, semiáridas e subsumidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e atividades humanas. O mesmo documento define que a degradação do solo é a perda ou redução da produtividade econômica ou biológica e da complexidade dos ecossistemas, causadas pela erosão do solo, deterioração das propriedades do solo e perda da vegetação natural.

Em “O Fenômeno das Secas no Nordeste do Brasil: uma abordagem conceitual”, artigo baseado no IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste, o professor e especialista em Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas (Brasília- DF) Marcos Airton de Sousa Freitas explica que grande parte de nosso planeta pertence à denominada área de risco à seca. “São regiões onde o montante precipitado aproxima-se do limite permitido à prática agrícola, aponta, e cita Sahel, o nordeste do Brasil, grande área da China, o platô Dekkan, na Índia, e parte da África do Sul como exemplos.

De acordo com o autor, nas décadas mais recentes, aparentemente as secas têm se apresentado com uma frequência e uma intensidade cada vez maiores em grande parte dos países, o que pode ter relação com o fenômeno das mudanças climáticas.

Freitas lembra que consideráveis áreas das Américas do Norte e do Sul, Austrália, Europa e Ásia foram atingidas por secas extremas, acarretando relevantes prejuízos econômicos, sociais e ecológicos. “Na Austrália, por exemplo, no período de cerca de 100 anos, compreendendo de 1864 a 1965, oito períodos de secas extremas foram registrados, os quais, em média, apresentaram uma duração de cinco anos”.

No Brasil

Sobre o Brasil, o especialista em Recursos Hídricos relembra que os últimos períodos de secas no nordeste brasileiro foram de 1981 a 1983, de 1992 a 1993 e do ano de 2002 a 2003 (em 2012 a região também sofre com a estiagem). As consequências da secas extremas durante a década de 70 e 80 foram a fome e o êxodo da população rural em direção ao sul do País ou às grandes metrópoles do nordeste, como Fortaleza, Recife e Salvador, todas localizadas no litoral. O “Polígono das Secas” abrange uma área de cerca de 940.000 km², envolvendo partes de quase todos os estados do Nordeste. Freitas observa que a agricultura ainda é a base da economia da região e que os períodos prolongados de secas reduzem a umidade do solo, acarretando enormes perdas às culturas. “A perfeita compreensão do fenômeno das secas faz-se, portanto, extremamente necessária para o uso sustentável dos limitados recursos hídricos da região”, aponta.

Entre 2006 e 2007 foram realizados estudos sobre os impactos das mudanças climáticas globais para diversas áreas do território brasileiro, como Amazônia brasileira, nordeste Brasileiro, Pantanal e Bacia do Prata, evidenciando as anomalias de chuva e temperatura, assim como balanço hídrico para o século XXI. Um dos apontamentos definidos nesses estudos foi uma diferença básica entre a seca e outras ocorrências naturais como cheias, furacões e terremotos, que iniciam e terminam repentinamente e se restringem, normalmente, em uma pequena região. Já a estiagem, quase sempre, tem um início lento, uma longa duração e pode alcançar uma área extens

Maurício Barroso

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Tempestade Isaac está prestes a virar furacão




A tempestade tropical Isaac está prestes a se tornar um furacão, com ameaça de aumento significativo de temporais e alagamentos ao longo da costa norte do Golfo do México, afirmou o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, sigla em inglês), nesta terça-feira.

A tempestade está localizada cerca de 330 quilômetros a sudeste do rio Mississippi, com ventos máximos sustentados de 110 km/h, disse o NHC.

O Isaac está movendo-se em direção noroeste a uma velocidade de quase 12 km/h.

Quando atingir o continente, a tempestade pode fazer grandes estragos em refinarias em regiões baixas ao longo da costa do Golfo, que são responsáveis por aproximadamente 40 por cento da capacidade de refinação de petróleo dos EUA (trazendo então não só prejuízos matérias mais também econômicos).


(Reportagem de NR Sethuraman)
editada por escolavirtual1

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Vulcanismo no Brasil


Hoje o país não corre nenhum risco de atividade vulcânica, mas em um passado bem distante, há milhões de anos, a história era outra


São impressionantes as imagens de qualquer vulcão em erupção. Nuvens de poeira no ar, material fumegante escorrendo pelo corpo do vulcão e muito barulho. O Etna, na Itália, o Puyehue, no Chile, e o Santa Helena, nos Estados Unidos, são exemplos de vulcões ativos, que entraram em erupção recentemente. Outros países também sofrem com atividades vulcânicas, como Japão, Nova Zelândia, Colômbia e Filipinas. O Brasil, por outro lado, apresenta rochas bem antigas e nos últimos milhões de anos praticamente não teve atividade vulcânica relevante. Vivemos em um país que pode ser considerado protegido desse tipo de catástrofe natural. No entanto, nem sempre foi assim.

 Para quem acredita que o Brasil sempre foi um lugar livre da fúria das lavas, saiba que nosso país já foi cenário de um dos maiores vulcanismos continentais do mundo. Há cerca de 134 milhões de anos, através de fissuras no solo, uma grande quantidade de material incandescente vindo do interior do planeta se espalhou por mais de 1 milhão de km2. As lavas cobriram parte das regiões centro-oeste e sudeste e todos os estados da região sul do Brasil, assim como áreas do Paraguai, Uruguai e Argentina. Esse vulcanismo gerou as rochas da Província Magmática Paraná e todo esse material se solidificou principalmente na forma de basalto.

 Evidências desse vulcanismo também podem ser observadas no continente africano, já que na época em que ocorreu esse evento a América do Sul e a África estavam unidas fazendo parte do supercontinente Pangea. No Brasil, uma das melhores exposições desse vulcanismo está na cidade de Torres (RS), onde o registro da sobreposição de derrames de basalto chega a 1km de espessura. Não tão volumoso, mas impressionante devido à sua preservação, foi o Evento Magmático Uatumã, que ocorreu na região amazônica, nos estados do Amazonas, Pará, Roraima e Mato Grosso, além de Venezuela e Suriname. Nesse evento há registros de rochas que têm preservadas suas características vulcânicas originais de cerca de 1,90 bilhões de anos. As rochas desse evento preservam sua composição original, feições de solidificação de seus magmas, assim como indicativos do modo de ocorrência de suas lavas. Isso é surpreendente, pois características tão antigas assim geralmente não são preservadas, pois ao longo do tempo são erodidas (erosão) ou sofrem processos que as transformam em outros tipos de rochas. É como fazer um castelo de areia na praia e ele não se alterar durante meses, mesmo com a ação do vento, da chuva e das ondas do mar.

As manifestações vulcânicas mais recentes registradas no território brasileiro ocorreram nas ilhas oceânicas de Trindade e Fernando de Noronha. Ambas as ilhas foram formadas há menos de 12 milhões de anos atrás.

Vivian Azor de Freitas

sábado, 17 de março de 2012

Geografia brasileira de luto

Morre um dos geógrafos mais importantes do Brasil

Ab'Saber


O pesquisador Aziz Nacib Ab'Saber, um dos maiores especialistas brasileiros em geografia física e referência em assuntos relacionados ao meio ambiente e impactos ambientais decorrentes das atividades humanas, morreu nesta sexta-feira (16), aos 87 anos, de infarto.

Professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), ele é autor de mais de 300 trabalhos acadêmicos e considerado referência da geografia em todo o mundo. É autor de estudos e teorias fundamentais para o conhecimento dos aspectos naturais do Brasil. Era presidente de honra e ex-presidente e conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Texto publicado no site da entidade conta que um dia antes de morrer, "o professor, disposto como sempre, fez sua última visita à SBPC, em São Paulo. Em um gesto de despedida, mesmo involuntariamente, ele entregou na tarde de ontem à secretaria da SBPC sua obra consolidada, de 1946 a 2010, em um DVD, para ser entregue a amigos, colegas da Universidade e ao maior número de pessoas".

Fonte: Agência Estado

 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Brasil é o 84º do ranking de desenvolvimento humano da ONU





O Brasil é o 84° colocado no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2011, divulgado nesta quarta-feira (2) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A lista tem 187 países e o índice varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1 o resultado, melhor o desempenho. O IDH 2011 do Brasil é 0,718, colocando o país no grupo de nações com desenvolvimento humano elevado. O índice brasileiro está acima da média global (0,682).

Na comparação com 2010, o Brasil subiu uma posição. A Noruega manteve a liderança no ranking, com IDH de 0,943. Em seguida estão a Austrália (0,929) e os Países Baixos (0,910) no grupo de países com desenvolvimento muito elevado. Nas últimas posições, com os piores índices, estão o Burundi (0,316), Níger (0,295) e a República Democrática do Congo (0,286), todos na África Subsaariana.

O IDH considera três dimensões fundamentais para o desenvolvimento humano: o conhecimento, medido por indicadores de educação; a saúde, medida pela longevidade; e o padrão de vida digno, medido pela renda.

Em 2011, para o Brasil, foram registrados 73,5 anos de expectativa de vida, 13,8 anos esperados de escolaridade (para crianças no início da vida escolar) e 7,2 anos de escolaridade média (considerando adultos com mais de 25 anos). A Renda Nacional Bruta (RNB) per capita dos brasileiros em 2011 considerada no cálculo do Pnud foi US$ 10.162.

Desde a criação do IDH, em 1980, o Brasil registra evolução no índice. Em três décadas, a expectativa de vida do brasileiro aumentou em 11 anos, a média de escolaridade subiu 4,6 anos, mas a expectativa de anos de escolaridade caiu 0,4 ano. No período, a RNB per capita subiu cerca de 40%.

“As dimensões sociais, de educação e saúde foram as que mais causaram impacto no IDH do Brasil e fizeram com que o país ganhasse posições”, avaliou o economista do Relatório de Desenvolvimento Humano brasileiro, Rogério Borges de Oliveira. Entre 2006 e 2011, o Brasil subiu três posições no ranking do IDH, segundo o Pnud.

Apesar dos avanços, o IDH 2011 do Brasil está abaixo da média da América Latina (0,731). O desempenho brasileiro está atrás do Chile (0,805), da Argentina (0,797), do Uruguai (0,783), de Cuba (0,776), do México (0,770), do Panamá (0,768), do Peru (0,725) e do Equador (0,720).

Em relação aos outros países que compõem o Brics (grupo formado pelo Brasil, a Rússia, China, Índia e a África do Sul), o IDH brasileiro é o segundo melhor, atrás da Rússia. “É interessante colocar esses países em um mesmo grupo de comparação pelo tamanho continental, pelas populações enormes, pela importância política, por serem economias emergentes e por terem políticas similares em alguns pontos”, explicou Oliveira.

Além do índice principal, o Pnud também divulgou o IDH ajustado à desigualdade (Idhad), que capta perdas no desenvolvimento humano por causa das disparidades socioeconômicas; o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM); e o Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), que mede a perda de oportunidades das mulheres por causa da discriminação.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Rede 'pequena' de corporações controla economia global, diz pesquisa

Gráfico traz empresas muito conectadas 
em vermelho, e superconectadas, em amarelo (Foto: PloS ONE)
 
A pesquisa, feita por especialistas do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, com sede em Zurique, e que será publicada na revista científica PloS ONE, usou métodos de análise de sistemas complexos para estudar 43.060 multinacionais, a partir de uma base de dados de 37 milhões de empresas e investidores de todo o mundo, datada de 2007
 
Das corporações estudadas, os cientistas criaram um modelo a partir das participações acionárias das empresas entre si, somadas a seus lucros operacionais. Assim, os pesquisadores chegaram a um "núcleo" de 1.318 corporações que possuem no mínimo duas outras - embora elas tivessem, em média, elos com 20 outras empresas.

Essa rede de 1.318 companhias, de acordo com a pesquisa, possuía a maior parte das ações de empresas de alta confiabilidade e lucratividade (conhecidas como ações blue chip) e de manufatura do mundo, que representam cerca de 60% dos lucros operacionais globais.

A maioria das corporações que compõem este grupo é formada por bancos. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha são os países com o maior número de empresas nesta lista, seguidos por França, Espanha e Itália. O banco Bradesco é a única empresa brasileira que está neste núcleo

Rede restrita de corporações

Ao estreitar ainda mais a rede de propriedade das corporações, os cientistas encontraram uma "superentidade" formada por 147 empresas que possuem parte ou a totalidade da propriedade umas das outras. Segundo o estudo, esta "superentidade", embora represente menos de 1% das multinacionais do mundo, comanda 40% da riqueza gerada pelas outras 42.913.

A exemplo do grupo mais amplo, esta rede "superexclusiva" é formada, em sua maioria, por instituições financeiras. Entre as 20 corporações mais poderosas desta relação estão o banco britânico Barclays (em primeiro lugar) e os bancos americanos JPMorgan Chase e Goldman Sachs.
Pelo fato de a pesquisa ter usado dados de 2007, a instituição financeira americana Lehman Bros., cuja falência acabou dando início à crise mundial de 2008, aparece em 34º lugar entre as corporações mais poderosas da "superentidade".


Riscos à estabilidade

De acordo com o economista John Driffill, da Universidade de Londres, este estudo é o primeiro a identificar empiricamente algo há muito debatido, que é a rede de poder formada por um grupo razoavelmente pequeno de grandes corporações transnacionais.

Segundo ele, no entanto, a importância do estudo não reside tanto no fato de verificar a existência de uma "superentidade" que comanda a economia no mundo, e sim em trazer novas ideias sobre os riscos à estabilidade financeira global, com base na interdependência entre as corporações.

"O problema na Europa hoje é que todos os bancos que possuem parte da dívida grega e espanhola fizeram empréstimos entre si, então se um deles quebrar, todos os outros quebrarão. São ligações como essas que fizeram com que a quebra do Lehman Bros. em 2008 se tornasse um desastre global", disse Driffill à BBC Brasil.

O estudo foi divulgado depois que ativistas em todo o mundo realizaram ocupações e protestaram contra as grandes corporações e os cortes de gastos públicos.

Driffill afirma, no entanto, que o fato da economia global ser comandada por uma rede limitada de empresas não é algo intencional ou planejado, e sim um movimento espontâneo.

"Este é um grupo grande, formado por mais de cem empresas, com interesses bastante diversos entre si. Não é possível que elas estejam de alguma forma conspirando", afirma.

As 20 maiores corporações "superconectadas"

1. Barclays (Grã-Bretanha)
2. Capital Group Companies (EUA)
3. FMR Corporation (EUA)
4. AXA (França)
5. State Street Corporation (EUA)
6. JP Morgan Chase (EUA)
7. Legal & General Group (Grã-Bretanha)
8. Vanguard Group (EUA)
9. UBS (Suíça)
10. Merrill Lynch (EUA)
11. Wellington Management (EUA)
12. Deutsche Bank (Alemanha)
13. Franklin Resources (EUA)
14. Credit Suisse (Suíça)
15. Walton Enterprises (Grã-Bretanha)
16. Bank of New York Mellon Corp (EUA)
17. Natixis (França)
18. Goldman Sachs (EUA)
19. T Rowe Price Group (EUA)
20. Legg Mason (EUA)

Fonte: PloS ONE

 


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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Rios voadores da Amazônia

Você sabe o que é um rio voador? O escola Virtual 1 Hoje traz um excelente video sobre o assunto. Não deixe de asistir e deixar um comentário.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Carros são opção da minoria nas cidades brasileiras


Daniel Santini



Nas cidades com mais de 100 mil habitantes, praticamente uma em cada três pessoas (32%) gasta mais de 1 hora por dia no deslocamento da residência para o trabalho ou para escola. Nas cidades menos populosas, a média cai para praticamente uma em cada quatro pessoas (24%). As estimativas fazem parte de uma pesquisa encomendada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) ao Ibope, intitulada Retratos da Sociedade Brasileira: Locomoção Urbana (disponível na íntegra em PDF aqui). O estudo foi divulgado na semana passada. 


A pesquisa apresenta resultados semelhantes aos dois estudos publicados este ano pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que podem ser acessados a partir de dois textos publicados no Outras Vias: "Ônibus, caminhadas e bikes, a opção da maioria" e "Percepções distorcidas e a realidade no trânsito". Além da quantidade absurda de tempo perdida no trânsito nas metrópoles, que representa queima exagerada de recursos naturais renováveis ou não, e emissões desnecessárias de poluentes, o dado que mais chama atenção é, de novo, como se formam os congestionamentos que prejudicam a sociedade como um todo. Os carros, que entopem ruas e avenidas, provocam engarrafamentos intermináveis e causam grave impacto ambiental, não são, ao contrário do que se costuma pensar, a opção da maioria. As cidades não travam porque todo mundo tem carro. São minoria os que optam (ou podem) por utilizar veículos individuais privados.


Aliás, vale aproveitar os dados da CNI-Ibope para analisar quem são os responsáveis pela degradação ambiental das cidades, os principais emissores de poluição no ar que todos respiram. Dos que mantêm carros nas cidades brasileiras, 51% tem ensino superior e 27% ensino médio completo. É gente que teve chance de estudar e aprender sobre a importância de se respeitar a natureza. Além de mais educados, são também os mais ricos os que se deslocam prioritariamente em automóveis privados nas cidades brasileiras. Nada menos do que 81% dos proprietários de carros tem renda superior a 10 salários mínimos. 

Estudos como estes podem ajudar a questionar os investimentos públicos feitos na área de transporte urbano. Apesar de serem opção de uma minoria, de provocarem graves impactos ambientais (não só na qualidade do ar, mas também provocando barulho e degradação de áreas de convivência e moradia), os carros seguem recebendo atenção especial dos planejadores urbanos brasileiros em todos os níveis administrativos. Técnicos mais preocupados em garantir a fluidez nas ruas do que em diminuir o número absurdo de mortes no trânsito, aliados a políticos conscientes do efeito eleitoral de grandes obras, insistem na ampliação de avenidas, na construção de túneis e viadutos. O transporte individual recebe a maior fatia de recursos e investimentos em transporte coletivo seguem em segundo plano.