domingo, 13 de janeiro de 2013

Estudo liga aumento da temperatura a casos de dengue



RIO - O aumento da temperatura teve maior relevância do que a elevação do nível de precipitação de chuvas na proliferação da dengue no Rio entre 2001 e 2009, aponta estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O objetivo do trabalho foi estudar o efeito de fatores sazonais e a relação entre as variáveis climáticas e o risco de dengue na cidade do Rio no período de nove anos. O resultado mostra que o aumento de um grau na temperatura mínima em um mês ocasiona uma elevação de 45% no número de casos de dengue no mês seguinte. Já o aumento da precipitação em 10 milímetros resulta na elevação de 6% no número de casos da doença no mesmo período.
"Os principais resultados mostraram que a temperatura teve maior relevância do que a precipitação, principalmente a temperatura mínima", disse a pesquisadora Adriana Fagundes Gomes. A importância da temperatura mínima se deve ao fato de o mosquito não conseguir se alimentar abaixo de 16 graus Celsius.
Adriana avalia que a justificativa para a precipitação não ter tanta relevância quanto a temperatura é o fato de a maioria dos criadouros serem domésticos. A proliferação de mosquitos em vasos de plantas que ficam dentro de casas, por exemplo, independe da quantidade de chuva. "Já a temperatura é um fator ambiental que não temos como controlar. A relação com o vetor vai acontecer."
O artigo resultou do estudo para tese de mestrado da pesquisadora, de 26 anos, que trabalha no Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Os resultados também apontaram que o risco de dengue aumenta quando a temperatura é superior a 26ºC. "Vem do senso comum o fato de doenças tropicais serem relacionadas a fatores climáticos. Então a gente tentou fazer uma análise científica dessa questão", disse Adriana. Dos nove anos analisados, em apenas três (2003 a 2005) não houve registro de epidemias da doença no Rio. A avaliação da distribuição dos casos de dengue mostra que a maior parte fica concentrada nos meses de março, abril e maio.
Por Felipe Werneck (Agência Estado)

sábado, 12 de janeiro de 2013

De tão poluído, ar em Pequim tem 'gosto' e causa perigos à saúde



A poluição do ar em Pequim chegou neste sábado a níveis considerados perigosos para a saúde humana.
As medições de estações oficiais e não oficiais de monitoramento indicam que a poluição deste sábado ultrapassa os níveis de perigo delimitados pela Organização Mundial da Saúde.
O ar tem até "gosto" de poeira de carvão e fumaça de automóveis, dizem correspondentes da BBC na capital chinesa, que está há dias coberta por uma pesada névoa. Por conta disso, só é possível enxergar alguns metros à frente no centro da cidade.
O crescimento econômico e o uso de matrizes energéticas poluentes deixaram o ar com péssima qualidade em diversas cidades chinesas.

BBC

Ambientalistas tentam minimizar impacto da expansão da soja


Foto de arquivo do Greenpeace mostra área desmatada para dar lugar a plantações de soja no Pará

Após se espalhar pelo Sul e Centro-Oeste nas últimas décadas, a soja agora avança pelo Norte e Nordeste brasileiros, mas encontra a resistência de ambientalistas, que tentam minimizar os impactos dessa expansão nos dois biomas mais diversos do país - a Amazônia e o Cerrado.

Em estudo publicado em 2012, a organização ambientalista WWF Brasil diz que hoje, entre os cinco Estados brasileiros que concentram os maiores focos de desmatamento em razão da soja, três são do Nordeste (Maranhão, Piauí e Bahia) e um da região Norte (Tocantins).

Ao avançar pela região, que entre estudiosos passou a ser chamada de Mapitoba (agregando as iniciais de cada Estado), a soja passa a ocupar o centro-norte do Cerrado, a última região do bioma em que ainda não estava presente.
O doutor em agroecologia Cássio Franco Moreira, coordenador do Programa Agricultura e Meio Ambiente do WWF Brasil, diz que hoje cerca de 50% do Cerrado já foi desmatado, "parte significativa em função da soja".
Segundo ele, pequenos e médios produtores têm promovido desmatamentos ilegais na Mapitoba, que abriga as últimas áreas de Cerrado intactas.
Por ora, no entanto, ele diz que o plantio de soja na região é praticado em sua maioria por grandes produtores. Esses, afirma, são mais capazes de arcar com os desafios logísticos da região e costumam respeitar a legislação ambiental.
A postura reflete as cada vez maiores exigências de compradores, que não querem ser associados à destruição do meio ambiente.

Pastagens

Ainda assim, de acordo com o Código Florestal atual, propriedades no Cerrado podem usar até 65% de suas terras para a atividade agropecuária, o que abre margem para novos desmates, ainda que legais. Somente 3% do território do Cerrado está protegido por unidades de conservação federal ou estadual.
Moreira diz, porém, que o Brasil poderia expandir plantações de soja sem desmatar nada. Ele cita cálculo do governo federal que apontou a existência de 200 milhões de hectares de pastagens no Brasil.
Segundo ele, é possível transformar até 30% das áreas hoje ocupadas por pastos em plantações, sem prejuízos para os pecuaristas. "Há incentivos financeiros do governo para que isso ocorra."
Enquanto isso, diz o coordenador da WWF, instituições ambientalistas têm negociado com grandes compradores mundiais da soja a conservação de áreas prioritárias do Cerrado.
Hoje, os compradores já concordaram em proibir a comercialização de soja produzida em áreas de floresta recém-desmatada, o que inclui área do Cerrado conhecida como Cerradão. Agora os ambientalistas tentam incluir na lista regiões do Cerrado com vegetação mais baixa e rala.
Caso consigam, Moreira prevê que, até 2023, serão desmatados 3% adicionais da área de Cerrado.
"Se expandirmos a produção de acordo com essas regras e se houver respeito ao Código Florestal, em dez anos podemos ter condições de negociar um desmatamento zero."

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

As dez 'tendências globais' dos próximos cinco anos


O mundo dos próximos anos deve ser mais interconectado, de população mais velha e urbana, e com uma classe média mais forte nos países emergentes 

Mas também será um mundo de jovens desiludidos, de incertezas econômicas, crescente disparidade de renda e sob sérios desafios climáticos.

Essas são algumas das tendências previstas pela empresa de pesquisas Euromonitor International, autora de um relatório chamado "Dez Macro Tendências para os Próximos Cinco Anos".
O objetivo do relatório é analisar o futuro dos mercados consumidores. Confira as projeções:

'Futuro incerto'

Dívidas fora de controle, medidas de austeridade na zona do euro e distúrbios políticos globais causam o maior nível de incerteza política e econômica dos últimos anos, aponta o relatório.
"E se a situação de prosseguir, isso terá efeitos para os consumidores que, em tempos incertos, vão exercitar a cautela ao tomar decisões de consumo."

'Classes médias emergentes'

"A expansão da classe média nos diversos países emergentes será um dos efeitos-chave do crescimento econômico (desses países), à medida que grandes contingentes populacionais deixaram a pobreza e formaram uma base de consumidores cada vez mais exigentes e sofisticados", opina a Euromonitor.
Relatório de novembro do Banco Mundial cita por exemplo o aumento da renda média na América Latina. Na última década a classe média da região cresceu em 50%, de 103 milhões de pessoas em 2003 para 152 milhões em 2009, hoje representando 30% da população.
Na Rússia, analistas apontam que a classe média está mais influente e busca sua voz na política; a China mira cada vez mais seu mercado de consumo doméstico, diante do desaquecimento da economia global.

'Jovens desiludidos'

A crise em países desenvolvidos teve como desfecho os altos índices de desemprego entre os jovens, e essa tendência deve se manter, diz a Euromonitor.
Entre os casos mais graves estão a Espanha e a Grécia, onde, segundo dados da Eurostat (instituto oficial de estatísticas da União Europeia), a taxa de desocupação de pessoas com menos de 25 anos supera os 50%.
Essas taxas contribuem para a insatisfação dos eleitores mais jovens, muitos dos quais têm saído às ruas de Atenas e Madri para protestar contra as medidas de austeridade na Europa.
O relatório da Euromonitor afirma que "faltam perspectivas decentes para os jovens, que enfrentam altos desemprego, custos universitários e custos de vida, além da falta de moradia acessível e do fardo de ter que ajudar os mais idosos no futuro".

'Divisão entre ricos e pobres'

O Brasil vive um momento histórico de redução da desigualdade, mas isso não necessariamente se repete no resto do mundo.
Segundo estudo prévio da Euromonitor, de março, a desigualdade de renda aumentou na maioria dos países entre 2006 e 2011, forçada pelo envelhecimento da população, pelo crescimento do desemprego e das medidas de austeridade em países desenvolvidos, além da persistente divisão entre áreas rurais e urbanas nos países em desenvolvimento.
Segundo o levantamento, essas disparidades podem minar os benefícios da recente onda de crescimento em alguns países.
A Euromonitor cita que aumentos desproporcionais de salários, avanços tecnológicos e urbanização também podem favorecer a desigualdade.
Para a consultoria, essas divisões também estão por trás de distúrbios sociais.

'O desafio climático'

"Padrões climáticos cada vez mais erráticos e o aumento dos níveis dos mares serão as maiores ameaças às populações nos próximos cinco anos e depois", diz a análise da Euromonitor.
Serve de exemplo a supertempestade Sandy, que recentemente varreu a costa leste dos EUA e deixou mais de 40 mortos no país. Os custos de reconstrução das áreas devastadas foram estimados em de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões.
Mas os prejuízos causados pelo clima "errático" vão muito além disso. "Secas e enchentes continuarão a provocar devastação em plantações, afetando os preços dos alimentos nos próximos anos", segundo o relatório da Euromonitor.

'Um mundo em processo de envelhecimento'

A tendência global é de taxas menores de nascimentos e maior expectativa de vida, o que resulta em uma população mais velha.
O Brasil se encaixa nessa tendência: a taxa de fecundidade foi de 1,86 filho por mulher em 2010, segundo o IBGE. A população brasileira deve se estagnar a partir de 2030. As consequências socioeconômicas de casos como o brasileiro são diversas.
"Populações em processo de envelhecimento vão impactar as perspectivas futuras de crescimento econômico, por conta da redução da mão de obra e de taxas mais baixas de poupança e investimento", prevê a Euromonitor. "Ao mesmo tempo, gastos públicos relacionados à idade (caso da saúde) devem aumentar significativamente."

'Transição urbana'

"A urbanização ser uma tendência de longo prazo, mas seu ritmo cresceu perceptivelmente nos últimos anos e o crescimento das cidades alcançou níveis sem precedentes em mercados emergentes", aponta o levantamento.
A China é um exemplo, com a construção de cidades que têm virado polo de atração para hotéis, aeroportos e outros empreendimentos.
Em âmbito global, mais da metade da população já vive em áreas urbanas.
"O êxodo do campo à cidade é fortemente impulsionado pelo anseio por mais poder econômico", diz a Euromonitor. "A transição global para a vida urbana está moldando os mercados consumidores e a demanda."

'Pessoas em movimento'

Para a consultoria, o mundo fica "menor" à medida que mais pessoas têm acesso à opção de viajar, estudar e trabalhar fora de seus países de origem.
"A continuidade da migração tem impacto significativo nas economias, nos mercados e no consumo", opina a Euromonitor. "A maior diversidade étnica oferece boas oportunidades aos mercados."

'Mundo mais conectado'

Previsão da consultoria tecnológica IDC aponta que, a partir de 2015, usuários acessarão mais a internet por dispositivos móveis - tablets e smartphones - do que por computadores.
"Quase um terço dos consumidores globais online têm acesso à web em seus celulares", afirma a Euromonitor.
"Mídias sociais como Facebook e Twitter estão mudando a forma como as pessoas interagem. Uma estratégia bem-sucedida em mídias sociais será uma prioridade para as empresas no mundo inteiro."

'China global'

Segundo a Euromonitor, está mudando o foco dos investimentos estrangeiros chineses: inicialmente concentrados em países em desenvolvimento e ricos em recursos naturais, eles agora se começam a se voltar à América do Norte e à Europa.
"Diversas marcas chinesas entraram na arena global e tentarão desafiar marcas globais estabelecidas", prevê o relatório. "Especialistas creem que os investimentos externos de empresas chinesas tenham um crescimento expressivo na próxima década."

do bbc brasil


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ex-morador de rua se forma em pedagogia na Universidade de Brasília


Os olhos de Sérgio Reis Ferreira têm um brilho intenso; o sorriso é de inesperada candura; as mãos evidenciam sofrimentos passados e um discreto nervosismo. A tentação de enxergá-lo como herói é grande –mas qualquer tentativa de apreender Sérgio na superfície é imediatamente frustrada: é preciso muito tempo e generosidade para reler o longo e árduo caminho que este ex-morador de rua percorreu até aqui, ao gabinete do reitor da UnB (Universidade de Brasília) nesse mês de novembro de 2012.

Foi no primeiro dia de novembro, então, que -com um sorriso tímido- o mineiro Sérgio enfim pôde entregou nas mãos de José Geraldo de Sousa Junior a monografia que atesta a conclusão do curso de pedagogia iniciado por ele na UnB há seis anos, em 2006.

O ineditismo do caso obrigou a instituição a se desdobrar para manter o estudante aqui após a surpreendente aprovação no primeiro vestibular de 2006. “A universidade que não lida com isto –que não acompanha esse aluno proveniente de situação adversa em todas as circunstâncias, até que complete o seu ciclo– é que fracassa, e não ele”, disse José Geraldo de Sousa Júnior, em referência à constante ameaça de descontinuidade que pairava sobre Sérgio durante os anos na UnB.

Institucionalmente, a universidade colaborou para a permanência de Sérgio com apoio sob a forma de alimentação, transporte, assistência social, orientação pedagógica etc.

“Não estamos aqui em torno do personagem Sérgio –mas, sim, do sujeito que, sobretudo, saiu da condição de vítima e trouxe sua vida até aqui, realizando uma ultrapassagem”, disse o reitor José Geraldo, para quem Sérgio é “alguém que, mesmo numa situação adversa, confiou”: “Se chegamos até aqui, é porque ele quis assim”.

O reitor revelou que vem acompanhando atentamente a trajetória do aluno, e que sabe das dificuldades que o percurso representou não só do ponto de vista econômico, mas também nos aspectos subjetivo, social e intelectual. “Ainda assim, Sérgio nunca tentou me atingir pelo sentimentalismo”, disse o reitor. “A rua não é mais o seu lugar!”, disse a Sérgio, que agradeceu: “Obrigado mais uma vez por me fazerem crescer”.

Monografia 

As dificuldades dos moradores de rua do Distrito Federal de se inserirem por meio da educação formal”, trabalho de conclusão de curso de Sérgio, pulsa com a narrativa simples – movida por sua evidente inteligência e por uma candente sinceridade ao narrar sua trajetória. O trabalho ganhou menção máxima.

Dedicada “a todos os moradores de rua do DF e a todos os que me ajudaram direta e indiretamente”, a monografia resgata o caso de Sérgio e de outros dois amigos em situação de igual vulnerabilidade social – um que conseguiu a inclusão e não mora mais na rua; e outro que, a despeito da grande capacidade crítica e conhecimento, não consegue entrar na universidade e ainda mora ao lado do restaurante Piantella, na Asa Sul, no Plano Piloto da capital federal. Na monografia, Sérgio faz também uma contundente crítica à universidade.

Acredito que a universidade idealiza o estudante perfeito e se esquece da complexidade da existência humana, pois quando vem mendigo morador de rua para dentro da universidade, vem também com estes as doenças, os vícios, a falta de disciplina e, naturalmente, a dificuldade de se adequar à rigidez acadêmica. Sendo assim, é a academia que, em um primeiro momento, tem que se adequar para receber estes estudantes até que se adaptem à academia. Falo isto por experiência própria, pois tive muito dificuldade para me adequar aos horários, às regras acadêmicas escritas e não escritas, a exigência de produção e, principalmente, para me adequar à cultura acadêmica, ou seja, a maneira de se falar e de se comportar em grupo”, diz Sérgio em sua monografia.



Livros sob um bueiro

“Senti tudo na pele: frio; não fome, mas vontade de comer; e o fato de estar privado do mínimo necessário à vida em sociedade”, disse Sérgio, lembrando que, muitas vezes, guardava os livros sob um bueiro. “Eu me envergonhava de dizer aos colegas que meu material havia sido roído por ratos e baratas”, disse, reclamando que, “no Brasil, não há políticas públicas direcionadas a esta população de rua – não há bebedouros nem banheiros e as pessoas são obrigadas a buscar locais em que há água gratuitamente disponível”.

Mas o caminho até a sala de aula não era feito apenas de percalços físicos – de longas caminhadas a pé, de banhos no Parque da Cidade e de roupas lavadas no lago Paranoá: a “inclusão excludente” de Sérgio na Universidade o fazia sofrer intensamente, levando-o muitas vezes a abandonar o abrigo da instituição para sentir-se paradoxalmente acolhido pelas ruas. “Às vezes a discriminação doía, e eu chorava por saber que eu era o invasor”, revelou Sérgio.

Há quase três meses, uma fatalidade – em meio ao mar de outras adversidades – ameaçou impedir a formatura de Sérgio de forma radical: no dia 28 de agosto de 2012, ao tentar roubar do pedagogo uma quentinha, outro morador de rua o esfaqueou. “Quanto à agressão física que quase me levou a óbito, eu somente aprendi uma dura lição: quando seres humanos ‘invisibilizados’ e silenciados pela sociedade - como os moradores de rua - lutam desesperadamente, eles utilizam até os meios mais vis e sorrateiros, no caso, a violência.

No encontro com o reitor, Sérgio resumiu a surpreendente e notável trajetória com uma frase: “Eu não tinha mais nada em que me agarrar – só tinha a Universidade – e então me agarrei a ela com unhas e dentes”.

*Com reportagem de Grace Perpetuo, da Agência UnB


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Proclamação da República Brasileira



A Proclamação da República Brasileira é o evento, na História do Brasil, que instaurou o regime republicano no país, derrubando a Monarquia. Ocorreu dia 15 de novembro de 1889 no Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, na praça da Aclamação (hoje Praça da República), quando um grupo de militares do Exército brasileiro, liderados pelo comandante marechal Deodoro da Fonseca, deu um golpe de estado e depôs o imperador D. Pedro II. Institui-se então a República, sendo nessa data que o jurista Rui Barbosa assinou o primeiro decreto do novo regime, instituindo um governo provisório.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sandy pode provocar desabastecimento em Cuba, diz ONU



A tempestade Sandy destruiu mais de 100 mil hectares de terras agrícolas em Cuba ao atravessar o país na semana passada, de acordo com um relatório da ONU divulgado nesta quarta-feira, que alertou para o risco de desabastecimento na ilha comunista nos próximos meses.
Sandy já matou 11 pessoas no leste de Cuba. Também causou danos significativos em Santiago, a segunda maior cidade da ilha, e vilarejos próximos.
Pelo menos, 180 mil casas foram destruídas ou danificadas pela tempestade, estimou a ONU.
O relatório das Nações Unidas, segundo a agência de notícias AFP, informa que "o cultivo de cana foi o mais atingido, seguido pelo da banana, vegetais e outros alimentos básicos."
De acordo com o jornal oficial Granma, o vice-presidente do país, José Ramón Machado, depois de visitar a área, reconheceu que "um dos maiores desafios será o de garantir alimento para as pessoas nos próximos meses".

BBC brasil

domingo, 21 de outubro de 2012

COORDENADAS GEOGRÁFICAS


Mapa da Terra mostrando as linhas de latitude (horizontalmente) e longitude
(verticalmente), e em destaque letras a serem localizadas

O sistema de mapeamento da Terra, através de coordenadas geográficas, expressa qualquer posição horizontal sobre o planeta através de duas das três coordenadas existentes num sistema esférico
de coordenadas, alinhadas com o eixo de rotação da Terra.


Para localizar qualquer lugar, na superficíe terrestre, de forma exata é necessário usar duas indicações, uma letra e um número.Temos que utilizar elementos de referência que nos permitam localizar com exatidão qualquer lugar da Terra (visualizar a primeira imagem) . A rede cartográfica ou geográfica nos dá a indicação das coordenadas geográficas. Os pontos de orientação dão um rumo, isto é, uma direção,


Assim, quando dizemos que a área A está a leste de B, não estamos dando a localização precisa dessa área, mas apenas indicando uma direção. Para saber com exatidão onde se localiza qualquer ponto da superfície terrestre — uma cidade, um porto, uma ilha, etc. — usamos as coordenadas geográficas.

As coordenadas geográficas baseiam-se em linhas imaginárias traçadas sobre o globo terrestre:


* os paralelos são linhas paralelas ao equador — a própria linha imaginária do equador é um paralelo;

* os meridianos são linhas semicirculares, isto é, linhas de 180° — eles vão do Pólo Norte ao Pólo Sul e cruzam com os paralelos.

Figura 2


 Todos os meridianos têm o mesmo tamanho. Convencionou-se que o meridiano de Greenwich, que passa pelos arredores da cidade de Londres, na Inglaterra, fosse o meridiano principal (observar a figura 2).

A partir dos paralelos e meridianos, estabeleceram-se as coordenadas geográficas, que são medidas em graus, para localizar qualquer ponto da superfície terrestre.



Continua ...





Comunicado importante


Nova série visando auxiliar no estudo dos conteúdos de geografia 
 para o vestibular do IFPE 2012

A pedido de uma querida aluna que está cursando o nono ano, vou promover uma série de assuntos geográficos afim de auxiliar os alunos que almejam estudar no IFPE.

Como sempre serei bem didático e por meio desse blog, do facebook ou pela página do aprendendo geografia posso tirar alguma possível duvida.

Fica o convite a quem estiver interessado em entrar nessa importante viagem ao conhecimento geográfico.

http://www.facebook.com/aprendendogeografia
http://www.facebook.com/escolavirtual1
http://escolavirtual1.blogspot.com.br/

sábado, 20 de outubro de 2012

Horário de verão começa à meia-noite deste sábado no país


Mudança atinge brasileiros das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e TO.
Relógio deve ser adiantadado em uma hora até 17 de fevereiro de 2013.




O horário de verão começa à meia-noite deste sábado (20) em algumas regiões do país. Os relógios devem ser adiantados em uma hora quando os ponteiros marcarem 0h nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além doTocantins.
A mudança afetará o Distrito Federal e 11 estados: Rio Grande do SulSanta Catarina,ParanáSão PauloRio de JaneiroEspírito SantoMinas GeraisMato GrossoMato Grosso do SulGoiás e Tocantins.

O horário de verão termina no dia 17 de fevereiro de 2013.

O objetivo é proporcionar uma economia de energia nos horários de pico. A mudança no horário ajuda a reduzir o consumo em cerca de 5% no período. A economia deve chegar a R$ 280 milhões.

As regiões Norte e Nordeste não aderem ao horário de verão.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

planeta maior que a Terra composto por diamante


Ilustração mostra o interior do planeta 55 Cancri e, que seria composto por grafite e diamante

Astrônomos descobriram que um planeta duas vezes maior do que a Terra é composto na maior parte de diamante e orbita uma estrela que é visível a olho nu. O planeta rochoso, chamado "55 Cancri e", orbita uma estrela como o Sol a 40 anos-luz de distância na constelação de Câncer, movimentando-se tão rápido que um ano lá dura apenas 18 horas.
O planeta tem raio duas vezes maior que o da Terra, mas é muito mais denso, com uma massa oito vezes maior. Também é incrivelmente quente, com temperaturas em sua superfície atingindo 1.648ºC.
"A superfície deste planeta é provavelmente coberta de grafite e diamante em vez de água e granito", disse o pesquisador Nikku Madhusudhan, de Yale, cujas conclusões deverão ser publicadas no Letters Astrophysical Journal. O estudo, feito com Olivier Mousis do Institut de Recherche en Astrophysique et Planetologie em Toulose, na França, estima que pelo menos um terço da massa do planeta, o equivalente a cerca de três massas terrestres, poderia ser de diamante.
Planetas-diamante já foram vistos antes, mas esta é a primeira vez que um foi localizado orbitando em torno de uma estrela parecida com o Sol e estudada em tantos detalhes. "Este é o nosso primeiro vislumbre de um mundo rochoso, com uma química fundamentalmente diferente da Terra", disse Madhusudhan, acrescentando que a descoberta do planeta rico em carbono significa que não se pode mais acreditar que planetas rochosos mais distantes teriam componentes químicos, interiores, ambientes ou biologia semelhantes à Terra.
O astrônomo David Spergel, da Universidade de Princeton, disse que é relativamente fácil desenvolver a estrutura básica e histórica de uma estrela, uma vez que se descobre sua massa e idade. "Os planetas são muito mais complexos. Esta ''super-Terra cheia de diamantes'' é provavelmente apenas um exemplo dos ricos conjuntos de descobertas que nos esperam, à medida que começamos a explorar planetas em torno de estrelas próximas"

Reuters

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Em Pernambuco, 80% das barragens do Sertão estão sem água


Falta pasto e caminhões-pipa têm sido a única forma de abastecimento.



Falta pasto para os animais e os caminhões-pipa têm sido a única forma de abastecimento para muitos agricultores por causa da seca que afeta a Zona da Mata, Agreste e Sertão de Pernambuco. Oitenta por cento das barragens sertanejas secaram completamente.
Em Petrolina, existem localidades onde não chove há meses. A zona rural está castigada. Na comunidade de Pereiro, o chão rachou e a vegetação está completamente seca. Os moradores caminham longas distâncias para pegar água. A agricultora Veronice Justina dos Santos tem esperança que tudo melhore. “A gente tem que sobreviver mesmo, porque a vida tem que continuar, mas é difícil. Agora, só lá mesmo para o final do ano que vai vir essa chuva de Deus”, disse.
As cisternas são abastecidas por carros-pipa, e os animais estão sem pasto. Só resta um pouco de lama na única barragem da região, que abastece cerca de 200 famílias. Por esse motivo, as pessoas buscam maneiras para diminuir o prejuízo causado pela estiagem. Todos os dias o agricultor Paulo Aparecido dos Santos vai buscar água no poço, que é salobra. “É o jeito não é? Não tem outra”, lamentou.
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) divulgou um relatório alarmante. Em todo o estado, 80 barragens estão com o nível abaixo do considerado normal para esta época do ano. A situação no Sertão é ainda mais preocupante: 80% dos reservatórios secaram completamente. Um problema que atinge muitas famílias que vivem na área de sequeiro, ou seja, que está na área de influência de um manancial de água.
Na zona rural de Ouricuri, a situação também é de colapso, com barragens secas. Os agricultores enfrentam a estiagem prolongada e se preparam para o período chuvoso, que só deve começar no ano que vem. Eles apostam na construção da cisterna calçadão, que garante um melhor aproveitamento da água da chuva. Mas a água armazenada neste tipo de cisterna só deve ser usada para dar de beber aos animais e molhar as plantações.
De acordo com a Articulação no Semi-Árido (Asa), que coordena a construção das cisternas em parceria com o governo federal, para que o agricultor seja contemplado com este tipo de reservatório, ele já deve ter na propriedade como armazenar água potável. Na cisterna calçadão, a água é captada em uma estrutura inclinada de cimento, tipo uma rampa. Com os batentes, a água na chuva não se espalha e escoa direto para o reservatório.
O tamanho pode variar. Uma cisterna de 10 metros de largura por 20 de comprimento tem capacidade para armazenar 52 mil litros de água. “A Asa vem estudando há quase oito anos a cisterna calçadão. Já é uma tecnologia desenvolvida junto com as famílias agricultoras, na qual os dados comprovam que segura a água no período da estiagem. O retorno é positivo”, explicou o engenheiro da Asa, Márcio Moura.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cada vez mais seco!

No Brasil, mais de 31 milhões de pessoas vivem em áreas sujeitas à desertificação, que tem início com a destruição da caatinga, mau uso dos recursos hídricos e a degradação do solo

O fenômeno das secas no Brasil vem de tempos distantes e, o primeiro período de estiagem pode ter ocorrido entre os anos de 1583 e 1585, quando o padre Fernão Cardin relatou o que ocorria na região Nordeste do País: “(…)uma grande seca e esterilidade na província e que cinco mil índios foram obrigados a fugir do sertão pela fome, socorrendo-se aos brancos”.

A seca nordestina já foi cantada em verso e prosa pelo Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e por outros compositores oriundos da mesma região, mas a canção que retrata com um “q” de realismo o papel da sociedade e sua in fluência, por vezes, nefasta ao meio ambiente, é “Sobradinho”, letra composta por Sá e Guarabyra: “O homem chega, já desfaz a natureza / Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar / O São Francisco lá pra cima da Bahia / Diz que dia menos dia vai subir bem devagar / E passo a passo vai cumprindo a profecia do beato que dizia que o sertão ia alagar / O sertão vai virar mar, dá no coração / O medo que algum dia o mar também vire sertão”.

Os longos períodos de estiagem não castigam apenas terras brasileiras. Em 1930, os três anos de seca no meio oeste americano agravaram a degradação da terra. A partir dali deu-se início a uma série de estudos e pesquisas acadêmicas voltadas ao conhecimento dos processos de deserti ficação. Trinta anos mais tarde, o sahel africano é castigado pelo mesmo fenômeno, que resulta em mais de 500 mil mortes.

 A devastação dos recursos naturais e um modelo de desenvolvimento equivocado, é apontado por especialistas como uma das causas daquela seca.

No final da década de 70, após algumas convenções internacionais, foi observada a necessidade de implantar uma política específica para as regiões semiáridas do mundo, tanto por suas características ambientais como pela situação geral de suas populações.

Mas somente durante a Rio 92 os chefes de estados somados a organizações que trabalham com o meio ambiente evidenciaram o fracasso dos programas internacionais de combate à desertificação e decidiram mobilizar uma Convenção de Desertificação, que visava o comprometimento de todas as nações, particularmente dos países ricos, com a questão da seca.

Definição do termo

De acordo com o texto da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), desertificação é a degradação da terra nas regiões áridas, semiáridas e subsumidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e atividades humanas. O mesmo documento define que a degradação do solo é a perda ou redução da produtividade econômica ou biológica e da complexidade dos ecossistemas, causadas pela erosão do solo, deterioração das propriedades do solo e perda da vegetação natural.

Em “O Fenômeno das Secas no Nordeste do Brasil: uma abordagem conceitual”, artigo baseado no IX Simpósio de Recursos Hídricos do Nordeste, o professor e especialista em Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas (Brasília- DF) Marcos Airton de Sousa Freitas explica que grande parte de nosso planeta pertence à denominada área de risco à seca. “São regiões onde o montante precipitado aproxima-se do limite permitido à prática agrícola, aponta, e cita Sahel, o nordeste do Brasil, grande área da China, o platô Dekkan, na Índia, e parte da África do Sul como exemplos.

De acordo com o autor, nas décadas mais recentes, aparentemente as secas têm se apresentado com uma frequência e uma intensidade cada vez maiores em grande parte dos países, o que pode ter relação com o fenômeno das mudanças climáticas.

Freitas lembra que consideráveis áreas das Américas do Norte e do Sul, Austrália, Europa e Ásia foram atingidas por secas extremas, acarretando relevantes prejuízos econômicos, sociais e ecológicos. “Na Austrália, por exemplo, no período de cerca de 100 anos, compreendendo de 1864 a 1965, oito períodos de secas extremas foram registrados, os quais, em média, apresentaram uma duração de cinco anos”.

No Brasil

Sobre o Brasil, o especialista em Recursos Hídricos relembra que os últimos períodos de secas no nordeste brasileiro foram de 1981 a 1983, de 1992 a 1993 e do ano de 2002 a 2003 (em 2012 a região também sofre com a estiagem). As consequências da secas extremas durante a década de 70 e 80 foram a fome e o êxodo da população rural em direção ao sul do País ou às grandes metrópoles do nordeste, como Fortaleza, Recife e Salvador, todas localizadas no litoral. O “Polígono das Secas” abrange uma área de cerca de 940.000 km², envolvendo partes de quase todos os estados do Nordeste. Freitas observa que a agricultura ainda é a base da economia da região e que os períodos prolongados de secas reduzem a umidade do solo, acarretando enormes perdas às culturas. “A perfeita compreensão do fenômeno das secas faz-se, portanto, extremamente necessária para o uso sustentável dos limitados recursos hídricos da região”, aponta.

Entre 2006 e 2007 foram realizados estudos sobre os impactos das mudanças climáticas globais para diversas áreas do território brasileiro, como Amazônia brasileira, nordeste Brasileiro, Pantanal e Bacia do Prata, evidenciando as anomalias de chuva e temperatura, assim como balanço hídrico para o século XXI. Um dos apontamentos definidos nesses estudos foi uma diferença básica entre a seca e outras ocorrências naturais como cheias, furacões e terremotos, que iniciam e terminam repentinamente e se restringem, normalmente, em uma pequena região. Já a estiagem, quase sempre, tem um início lento, uma longa duração e pode alcançar uma área extens

Maurício Barroso